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terça-feira, 16 de novembro de 2010

A cirurgia

Como combinado com o cirurgião,  as 7h45 já estava no Hospital Privado da Trofa. Não estava muito nervosa, finalmente tinha chegado o dia e queria que tudo acontecesse rápido para não entrar em stress...e assim foi! Por volta das 8h30, o Dr. Edgardo passou pelo quarto, conversamos um pouco e tive mais 5 minutos para me preparar..Quando dei conta, ja estava a ir para o bloco. Conversei mais um pouco sobre o tipo de perfil com o cirurgião enquanto ele me marcava com uma caneta. Ficou acordado o perfil alto. Uma enfermeira chegou e deu-me uma injecção...e não me lembro de mais nada! Quando abri os olhos estava já na sala de recobro e sentia tanto frio que tremia de forma descontrolada...cobriram-me com mais cobertores e, pouco depois, fui conduzida para o quarto e colocaram-me soro. Eram 12h15.
Lembro de sentir uma pressão terrivél nas mamas, tive inicialmente alguma dificuldade em respirar e mal me podia mexer...dores não tinha muitas ainda devido ao efeito da anestesia, mas as horas foram passando e o mal estar crescendo, sobretudo a dor nas costas por estar na mesma posição. Foi desesperante estar naquela posição tantas horas, nem a casa de banho podia ir. Não podia levantar-me e nem que o quisesse fazer a revelia das enfermeiras, era impossivél sem ajuda. A intensidade da pressão nas mamas foi aumentando. Não consegui comer nada de jeito nem dormir por um minuto de sexta para sabádo. O sábado ainda foi pior, a dor nas costas, não poder mexer-me e a pressão nos peitos. Lá me fui lavantando, de vez em quando, para ir a casa de banho com a ajuda de uma enfermeira regressando, de imediato, para aquela posição desesperante. Tive todo o apoio das enfermeiras e a visita assidua do Dr. Edgardo. Os analgésicos ajudaram, mas foi muito dificil permanecer deitada naquela posição tanto tempo. De sabádo para domingo não dormi de novo. No domingo tentei caminhar um pouco no corredor acompanhada dos meus dois amigos "drenos" atrás de mim. As dores debaixo dos braços devido aos drenos tinham aumentado desde o final da tarde de sabado e estava ansiosa por tirá-los. E assim foi por volta das 10h30. Tive a visita do Dr. Edgardo e mais um enfermeiro que me fizeram o grande favor de tirar os drenos. Não foi fácil, doeu bastante mas foi uma dor em simultâneo, pois foram puxados ao mesmo tempo :). O alivio foi imediato e, pouco depois, tive alta. Vesti-me com ajuda de uma enfermeira. Mal conseguia andar direita e foi com grande custo que cheguei ao elevador até a recepção e, finalmente, apanhar ar fresco! Não estava com o tal sorriso que esperava ao sair do Hospital mas sabia que, daqui há uns dias, as coisas iriam melhorar e aí sim, iria sorrir....

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Primeiros desabafos depois da cirurgia

Bem, agora sim, está feito ;)
Nem sei por onde começar, tenho tanto para contar...Vou deixar aqui hoje, apenas, algumas palavras, ainda não me sinto totalmente recuperada da cirurgia, mas voltarei amanhã para uma descrição mais pormenorizada da cirurgia.
A cirurgia correu bem, mas posso dizer que foi mais dificil do que esperava. Foram dois dias de grande sofrimento físico (e achava eu que os analgésicos resolviam, ajudam sem dúvida, mas a dor continuou lá acompanhada de uma dor de costas como munca tive)...houve momentos que quase me arrependi de estar ali..disse "quase" :)
Não estou aqui para desanimar ninguém, obviamente, cada pessoa reage diferentemente a cirurgia e muitas mulheres que já passaram por isto, e pelo que pude ler em muitos  depoimentos, tiveram um pós-opratório fantástico...Não tive essa sorte, somente :)...
Passados 3 dias sobre a cirurgia, estou melhor mas ainda com muitas dores nas costas, mal consigo andar direita, com uma pressão abismal nos seios...Deve dizer que ainda não dormi "deitada" desde o dia 12...tem sido  muito dificil passar os dias e sobretudo as noites, mas tudo tem vindo a melhorar devagarinho e finalmente, a partir de hoje, alguma tranquilidade!!!
Os dois primeiros dias foram muito duros (para eliminar da minha memória), sobretudo o dia posterior a cirurgia, sábado...Agora posso dizer, que já tenho algum sossego e, em principio, amanhã vou tirar os pontos. O Dr. Edgardo colocou-me 410 ml em cada mama, apesar de parecer muito, não estão enormes e ainda vão desinchar.
Coloquei duas fotos para mostrar os resultados imediatos, a 1ª no sábado e a 2ª foto com o brilho especial da hidratação, importante para evitar estrias , hoje, 2ª feira. Têm muito que evoluir ainda,  mas penso que estão no bom caminho...tendo em conta que têm pouco mais de três dias de existência  :)
To be continued


quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Última consulta

No dia 19 de Outubro dirigi-me, de novo, para o Hospital da Trofa. Última consulta com o Dr. Edgardo antes da cirurgia. Como combinado,  ia munida de algumas imagens de seios, com o tamanho que pretendia. A consulta iria ter como tema principal o tamanho das próteses, os mililitros que iram ser colocados. Entra 1ª consulta e esta, tive imenso tempo para pesquisar e ler mais depoimentos de mulheres que realizaram esta cirurgia. Constatei que muitas delas, como tinha já referido o cirurgião, arrependem-se de não terem colocado prótese ligeiramente maiores. Claro está, para quem nada tem, ter um pouco maior já é muito bom! Mas como disse o Dr. Edgardo, rapidamente nós habituamos ao novo tamanho e depois realizamos que mais um pouco não ficava mal. Logo, fui para esta consulta com uma ideia "não me arrepender no tamanho, nem para menos, nem para mais".  Para isso, iria mostrar aquilo que pretendia, ouvir o que ele tinha para dizer e confiar totalmente no cirurgião. Assim foi, mostrei as imagens...O Dr. Edgardo vi-as e disse-me que tinha feito bem em trazer essas imagens mas referiu que não precisava de as ter visto. Iria colocar o tamanho que melhor se adequar a minha fisionomia, de forma harmoniosa. Tenho 1.72 e 58,50kg. Na opinião dele e para ter um resultado satisfatório, as próteses deverão ter entre 385/400 ml. Contudo, referiu que iria decidir no bloco com as próteses de ensaio, experimentando vários tamanhos e optando, finalmente, pela que ficar melhor. Com todo o seu profissionalismo e simpatia, disse-me para não me preocupar, pois para além de cirurgiões plásticos são também artistas a pintar uma tela :). Quanto ao perfil ser moderado ou alto, não ficou bem decidido. Antes da cirurgia espero ainda falar com ele sobre isso. 

Bem, dito isto...é ja depois de amanhã. É estranho pensar que falta tão pouco, quando demorei tantos anos a decidir-me. Sei que não me irei livrar de uma tremenda ansiedade amanhã e no dia. Como me disse o Dr. Edgardo "esta é a cirurgia do sorriso". É desta forma que espero, no domingo, deixar o Hospital Privado da Trofa, com um grande sorriso :-)
To be continued
NDS

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Dia 12 de Novembro 2010

Depois da consulta e enquanto me dirigia para o carro, lembro-me de me sentir como uma pluma... a cada lufada de ar que inspirava uma sensação de leveza, de alivio. Estava prestes a libertar-me deste fardo que carregava há mais de uma década. Sabia que não iria voltar atrás na decisão e que a momoplastia seria um facto. 
Voltando a consulta e, de forma resumida,  aos seus aspectos mais "técnicos". O Dr. Edgardo explicou-me os procedimentos da cirurgia e riscos associados. Quanto aos riscos, a contratura da protese é uma realidade em 3 a 5 % das pacientes. Todavia, é impossivel de prever devendo-se, exclusivamente, a uma reacção do organismo a protese, formando-se uma membrana que a pode contraír e, nos casos mais graves, deformar o aspecto da mama. Grande parte dos casos têm solução através de nova cirurgia para correcção. A probabilidade de acontecer é minima, mas existe. Expliquei-lhe aquilo que "não queira": um peito demasiado grande, com aspecto redondo no polo superior da mama. Quanto ao tamanho, esta é, seguramente,  uma das grandes preocupaçõess pela dificuldade que temos em traduzir os mililitros em seio "real". O Dr. Edgardo chamou-me a atenção quanto ao facto de muitas pacientes arrependerem-se de não colocarem mais. Pude confirmar isso em vários Blogs, depois de ler muitos depoimentos de mulheres que já realizaram esta cirurgia. Hoje, se realizassem de novo esta cirurgia muitas delas colocariam mais. Acredito que temos que ficar totalmente satisfeitas e não correr riscos e ficar pelo "se sabia tinha colocado mais".  Depois de me examinar e verificar que tinha pele suficiente, a abordagem proposta pelo cirurgião foi via axilar e subglandular. Voltando ao tamanho, e vendo que eu tinha muitas dúvidas quanto a isso, o cirurgião aconselhou-me levar algumas fotos de seios que eu gostasse de forma a verificar, numa proxima consulta, a possibilidade de aplicar o que pretendo. Antes de terminar a consulta, falamos numa data para a cirurgia caso decidisse realiza-la. Já tinha uma data em mente, dia 12 de Novembro 2010 por ser véspera de 13 de Novembro, outra data  digna de registo ;). Verificou a disponibilidade e confirmou-me que era possivél. Não dei a minha última palavra nesse dia. Contudo, não esperei muito, não fosse o diabo tecê-las e eu mudar de ideias!! Liguei na manhã seguinte a confirmar a cirurgia para dia 12 de Novembro às 8.30 no Hospital Privado da Trofa.
Agora sim, não havia volta a dar-lhe...

O "tal" cirurgião

Passaram mais três invernos desde aquela consulta de 2007. Por muito que tentasse, as coisas não melhoraram, muito pelo contrário. Tornava-se cada vez mais dificil conviver com este complexo. Estava saturada desta ditadura "psicológica". Não valia a pena tentar mais, iria fazê-lo toda a vida e sem êxito. De uma semana para a outra tomei a decisão de marcar uma consulta com outro cirurgião plástico. Estava determinada, não iria adiar mais. Este ano (2010) iria realizar a mamoplastia, nem que para isso tivesse que marcar com mais dois, três, quantos fossem preciso, para encontrar o "tal" cirurgião. Aconselhei-me junto da minha médica de familia e esta indicou-me o Dr. Edgardo Malheiro. Não hesitei...marquei consulta com ele no Hospital Privado da Trofa para dia 24 de Agosto.
Finalmente, sentia-me pronta apenas me faltava encontrar o cirurgião certo, que me transmitisse confiança e não me fizesse hesitar...Tive algum receio que acontecesse como na 1ª consulta, mas sabia que não iria esperar mais três anos para marcar nova consulta. Para já, não queria pensar nisso, iria esperar até ao dia da consulta com o Dr Edgardo e ver o que acontecia.
No dia 24 de Agosto fui a tão esperada consulta. Devo dizer que fiquei surpreendida mal entrei no consultório. Nunca tinha pensado na idade do cirurgião mas não estava a espera de um cirurgião tão jovem :). A forma simples e profissional como decorreu a consulta foi determinante. A empatia foi imediata. A simpatia e boa comunicação que se gerou transmitui-me a confiança que procurava. Respondeu a todas as minhas perguntas, algumas sem grande nexo mas senti que ele compreendia perfeitamente o sentido das minhas perguntas e o quanto era importante responder a todas as minhas dúvidas. O sorriso reconfortante do Dr. Edgardo face aos meus medos, dúvidas tranquilizou-me e fortaleceu aquilo que fui sentindo durante a consulta...Tinha encontrado o "tal" cirurgião...Ainda me encontrava dentro do consultório e já sabia que seria este cirurgião a realizar a minha mamoplastia...  

domingo, 7 de novembro de 2010

Os outros...

Por muito que não se queira pensar neles, "os outros" preocupam qualquer mulher que decide fazer uma mamoplastia. Naturalmente, as pessoas sensatas irão dizer-me "as outras pessoas não têm nada a ver com isso", obviamente partilho dessa ideia, ninguém tem nada a ver com isso. Contudo, é impossivel nós não meditarmos nisto: o que irão pensar as pessoas que trabalham comigo se souberem? os amigos (as), os conhecidos...enfim, todos as pessoas que, de alguma forma, partilham a nossa vida...Para a generalidade, a mamoplastia é vista como uma excentricidade de determinadas mulheres... e não como uma forma de resolver um problema psíquico e de auto-estima...Na cabeça de muita "boa gente" esta cirurgia está, normalmente, ligada ao tal exibicionismo que já referi e tem uma forte carga sexual...Muito provavelmente, se a minha vizinha souber que eu fiz uma mamoplastia, não irá pensar que o fiz por uma questão pessoal e que fiz muito bem, mas de certa forma e penso que posso dize-lo, para atrair elementos do sexo masculino e quiça até o marido ou namorado dela...O senso comum tem destas coisas e só com o tempo as coisas poderão melhorar. Apesar de tudo, acredito que já estamos no bom caminho...Por tudo isto, é comum as mulheres colocarem menos mililitros do que seria desejavél tendo em conta a fisionomia das mesmas, de forma a evitarem que terceiros se apercebam da cirurgia...Não sou imune a esse medo "dos outros". Sinto este receio das outras pessoas tirarem conclusões erradas a boa maneira portuguesa...Mas também sei que não poderei evitar comentários camuflados, por trás da cortina...Sei porque faço esta cirurgia e as pessoas em quem confio e contei, de quem eu gosto e que gostam de mim,  compreendem e apoiam a minha decisão e isso, para mim,  é o mais importante...Quanto as restantes, incluindo todas as vizinhas (vizinhos) de Portugal, são livres de pensarem o que quiserem...

terça-feira, 2 de novembro de 2010

O medo

Ainda não falei no medo, mas tenho que falar nele…este foi o principal motivo de tantos anos de indecisão…Não do medo da dor física, do pós-operatório…nada que um bom antibiótico ou analgésico não resolva. Falo é do medo do resultado…A verdade é que, durante anos e anos, temos a nossa auto-estima quase a zero e sentimos muito medo que o resultado final da cirurgia não corresponda as nossas expectativas…Sabemos o que é um seio bonito mas é muito difícil imaginar e saber, exactamente, como irão ficar os nossos…e esse “não saber” paralisa-nos, provoca-nos tanto medo de estragar o pouco que temos que andamos, anos a fio, a tentar viver com o que é “ invivavel ” e a esquecer essa ideia “tonta” de fazer a mamoplastia. Como seria bom poder viver sem este conflito, como tantas outras mulheres que vivem, naturalmente e em perfeita harmonia, com os seus pequenos seios, que não lhes provacam qualquer problema, felizmente. Seria tudo muito mais fácil…
Durante 15 anos tentei faze-lo, mas em vão…